• Tema: A Pandemia e as múltiplas faces da crise capitalista: ponto de bifurcação?
  • Período de submissão de artigos: de 15 de julho até 15 de setembro de 2020
  • Lançamento: Novembro de 2020

A Pandemia da COVID-19 vem escancarando faces críticas da longa duração da acumulação capitalista. Ao mesmo tempo, torna-se parte mesma do processo. A crise pandêmica, neste sentido, tem o potencial de representar um ponto “bifurcador” histórico. Até sua eclosão, as conjunturas econômica, social, política e ideológica do capitalismo globalizado já apresentavam graves indícios de que estava por se aproximar algum evento que seria o estopim para um ponto bifurcador.

As taxas de crescimento econômico mundiais, apesar de um breve período de curto fôlego entre 2015-2018, apresentaram média de 2,73% entre 2009-2018, patamar histórico muito inferior a outros períodos. Depois da crise financeira, a “financeirização” aliou-se, enquanto lógica de acumulação, às políticas de Estado norte-americana e europeia aproveitando-se da gigantesca injeção de liquidez e provocando um distanciamento cada vez maior entre o valor dos ativos financeiros e a economia real das empresas e Estados. Do ponto de vista social a conjuntura pré-pandêmica esteve marcada pelo aumento da frequência e intensidade de protestos sociais como a primavera árabe e os levantes populares na América Latina. Esteve marcada também pela crise migratória e de refugiados que tomou proporções globais. Do ponto de vista político, a nível internacional, a ascensão dos BRICS, incluindo aí também outros processos correlatos de articulação institucional, representa um novo contrapeso de articulação geoeconômica e geopolítica. Do ponto de vista ideológico, a ascensão do neofascismo, a polarização dos resultados eleitorais no mundo e a cada vez mais central necessidade de decolonialidade em níveis multifacetados da sociedade e do indivíduo, como gênero, raça, sexualidade e periferização, confrontam-se neste amplo quadro conjuntural de longa duração da crise capitalista.

Neste sentido, como pensar a crise pandêmica? É realmente um ponto bifurcador? Como pensar a realidade destas diversas faces da crise capitalista tendo em vista sua sobreposição à crise pandêmica? Quais cenários são possíveis, quais estratégias, quais desafios? Enfim, como abocanhar o todo e qual seu significado de longa duração? Assim, convidamos à contribuição análises que possam mergulhar dentro destas diversas faces da crise pandêmica-capitalista. Serão também analisadas resenhas de livros escritos há no máximo cinco anos e que contribuam para o entendimento da crise capitalista e/ou dos impactos de pandemias na história das sociedades.

A coordenadora desta edição é Ísis Campos Camarinha – Doutora em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


O Boletim de Conjuntura do LEHC publica artigos e resenhas nas diferentes áreas da Ciência Política. Os trabalhos podem ser submetidos em português ou espanhol e, caso aceitos, serão publicados no idioma original.

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