Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ)

Boletim de Conjuntura LEHC

ISSN 2595-3095

Link para download (em pdf): Boletim de conjuntura v.3, n°5

O ano de 2018 até o momento representa um ponto marcante nas duas regiões que são tema desse boletim. Tanto na América Latina quanto na Europa processos eleitorais representam parte da remoldagem uma conjuntura que está sendo analisada há três anos pelo Laboratório de estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia nesse periódico. No primeiro artigo, Carlos Serrano passa pelos processos eleitorais europeus a partir do avanço de partidos e movimentos de extrema direita, muitas vezes substituindo ou ameaçando uma hegemonia bipartidária. Seguimos com três artigos sobre países na América Latina aonde processos políticos distintos estão em marcha: No Brasil, Carlos Eduardo Martins analisa o fenômeno da popularidade de Bolsonaro e um processo de escalada do fascismo no maior país da américa do sul. Na Venezuela, a consolidação do governo de Nicolás Maduro após constituinte e eleição são o tema do artigo de Mayra Goulart com Beatriz Lourenço e Júlio Cesar Pereira de Carvalho. Joana Coutinho analisa a eleição de López Obrador no México, o quê representa a maior vitória dos campos progressistas na América Latina no ano. Por fim, Ísis Camarinha e Pedro Martinez apresentam um mapeamento de governos e regimes a partir do cenário eleitoral desse ano.

Expediente

Sumário

Artigos

O avanço da extrema-direita nas eleições de 2018 na Europa

Carlos Serrano Ferreira

Escalada fascista no Brasil: as tarefas do campo popular e democrático

Carlos Eduardo Martins

Polissemia e luta hegemônica:

um comentário sobre a conjuntura venezuelana

Mayra Goulart

Beatriz Lourenço

Júlio César Pereira de Carvalho

Eleições no México: a esperança em Lopes Obrador

Joana A. Coutinho

Breve análise do mapa eleitoral de 2018

Ísis Camarinha

Pedro Martinez

 

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Quem Somos

LEHC é o Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sediado no Instituto de Relações Internacionais e Defesa (IRID/UFRJ) e associado ao Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional (PEPI/UFRJ). Fundado em 2010, dedica-se à pesquisa e promoção do conhecimento sobre: o Brasil e a América Latina na economia política da globalização; o pensamento social contra-hegemônico e/ou latino-americano; Estado, modelos políticos e padrões de desenvolvimento; e civilização capitalista, contra-hegemonia e civilização planetária. Articula-se com importantes redes nacionais e internacionais entre elas o CLACSO, em particular, com os grupos de trabalho Integración regional e unidad latinoamericana e caribenhaEstudios sobre Estados Unidos e Crisis de la economía mundial capitalista.


Notícias

 

Nota do LEHC/UFRJ sobre o segundo turno das eleições de 2018 no Brasil: Derrotar Bolsonaro é derrotar o neoliberalismo e o fascismo! Reconstruir a democracia brasileira é reforçar a organização popular e as forças progressistas

O Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LEHC/UFRJ) vem a público se manifestar em um momento crucial da vida Brasileira. Nesse segundo turno, estamos diante de dois projetos distintos de país e devemos deixar clara a nossa posição diante da ameaça que se apresenta.

Primeiramente manifestamos nosso repúdio total ao projeto fascista representado pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). Este vem demonstrando sistemático desprezo contra direitos conquistados da classe trabalhadora brasileira. Está aliado com os espúrios interesses da elite nacional dependente, que pretende entregar nossas riquezas e nossa dignidade às grandes corporações e estados centrais. Seu governo representa a radicalização do projeto neoliberal que já nos aflige somado ao perigo conservador, intolerante e agressivo que já está mostrando do que é capaz, visto as notícias de crimes violentos de apoiadores de Bolsonaro contra pessoas que discordam do candidato.

O LEHC é um grupo com oito anos de trabalho e se orgulha de ter como valor a pluralidade de campos de estudo e de posições políticas dos seus membros. Nossos ideais são opostos ao do deputado e seu grupo. Por isso apoiamos Fernando Haddad (PT) nesse segundo turno. Estamos cientes de que a prática política implementada pelo Partido dos Trabalhadores nos treze anos em que esteve no governo está esgotada justamente pela fato da aliança ter sido feita com o grande capital em detrimento dos movimentos sociais. O golpe de 2016 mostrou que não é possível governar para o povo e ao mesmo tempo se curvar aos poderosos.

Dessa forma, independente de quem for o vencedor do pleito, consideramos essencial reconstruir a democracia nesse país. Um novo sistema que defenda a educação pública, universal e de qualidade em todos os níveis. Um sistema que combata a influência dos detentores do poder financeiro e político e que dê poder ao povo trabalhador. A eleição de Fernando Haddad representa a possibilidade dessa reconstrução em oposição a brutal regressão econômica e política que representa o outro candidato. Mesmo com todas as críticas feitas ao PT e ao seu governo, votar 13 no segundo turno é dizer não ao neoliberalismo, ao fascismo e à tortura. O LEHC estará sempre ao lado das lutas por uma sociedade mais justa e soberana.

Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2018.

 

Nota do LEHC a um mês da tragédia do Museu Nacional

 

O Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ) vem neste um mês da tragédia do incêndio do Museu Nacional expressar sua solidariedade com os trabalhadores – terceirizados, técnicos e professores –, com os estudantes e com sua direção. Também nos solidarizamos com o conjunto da comunidade universitária, da qual o Museu Nacional faz parte, que além de chorar suas perdas tem que suportar os ataques dos tubarões de ensino e neoliberais. Queremos nos solidarizar, por fim, com todo o povo do Rio de Janeiro, que perdeu aquele museu que era o verdadeiro museu da comunidade do grande Rio, principalmente dos mais pobres e dos subúrbios, que construíram em torno desses duzentos anos de história do museu as suas próprias histórias, em um palácio que um dia abrigou a família imperial, e que agora abrigava os afetos de tantas famílias do povo.
 
A destruição do Museu Nacional é uma tragédia para todo o povo brasileiro, mas também de toda a Humanidade. Perdeu-se grande parte do quinto maior e mais importante acervo do mundo. Calaram-se as vozes de povos que já não existem mais, perdeu-se o testemunho material deixado pelos trabalhadores de antigas civilizações.
 
Esta tragédia não era inevitável. É mais um dos resultados destrutivos da política neoliberal de sucessivos governos, em todas as esferas. A política de cortes no investimento das universidades públicas e na cultura é um dos seus elementos. Como também o é a transferência de recursos públicos para as universidades privadas e instituições de cultura privadas. Ergueu-se um Museu do Amanhã com verbas públicas para atender os interesses da Fundação Roberto Marinho, enquanto o Museu Nacional tentava sobreviver como podia.
 
O abandono do Museu Nacional espelha a repulsa que os neoliberais tem contra uma instituição que produzia ciência e cultura de forma gratuita e de qualidade, ao serviço do povo. O incêndio foi enxergado vergonhosamente pelo atual governo golpista como “uma janela de oportunidades” para destruir com toda a política nacional de museus e para transferir os museus ao setor privado para atender a fúria de lucros dos grandes empresários. Esperamos que a tragédia do Museu Nacional não seja rapidamente esquecida, em meio ao turbilhão de tragédias e retrocessos que ocorrem em nosso país. Por isso, o LEHC/UFRJ marca este um mês afirmando que o Museu Nacional vive e afirmando o seu compromisso com a luta em defesa da universidade pública e com a cultura, contra o neoliberalismo e as privatizações.
 
Rio de Janeiro, 2 de outubro de 2018.

Nota do LEHC/UFRJ a um ano do referendo independentista na Catalunha

O Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ) vem nesta data em que se completa um ano do referendo da Catalunha se solidarizar com esse povo em seu direito à autodeterminação nacional e expressar sua repulsa à política de repressão. Há um ano assistimos estupefatos a brutal repressão policial realizada pelo governo de Madrid contra um povo que queria, de forma pacífica e por meio de uma votação tranquila e organizada, decidir seus próprios destinos.

O LEHC/UFRJ acredita que o princípio da autodeterminação dos povos, que entra em cena de forma concreta pela primeira vez há pouco mais de cem anos com a Revolução Russa, é uma conquista do Direito Internacional e da Humanidade, um sinal de progresso civilizacional que deveria ser tido em conta por todos os Estados. Graças à esse princípio o Terceiro Mundo deu os seus primeiros passos de libertação, ainda que incompleta, faltando a libertação econômica.

O LEHC/UFRJ quer marcar com ênfase seu repúdio à forma antidemocrática que a Monarquia espanhola vem tratando a questão, mantendo depois de vários meses nove presos políticos e forçando outros políticos independentistas ao exílio, trazendo lembranças de um passado recente de trevas fascistas.

Rio de Janeiro, 1 de outubro de 2018

 


Linhas de Pesquisa

A economia política da globalização e a América Latina

Pensamento social contra-hegemônico e/ou latino-americano

 3 Estado, modelos políticos e padrões de desenvolvimento

Crise da civilização capitalista, contra-hegemonia e civilização planetária

 


 

Equipe de Pesquisa

Coordenador: Carlos Eduardo Martins (Lattes)

Vice-coordenador: Carlos Serrano Ferreira (Lattes)

Pesquisadores:

Wilson Vieira (Lattes)

Heitor Silva (Lattes)

Renata Bastos (Lattes)

Colaboradores:

Joana das Flores (Lattes)

Bernardo Salgado (Lattes)

Camila Oliveira do Valle (Lattes)

Isis Camarinha (Lattes)

Auxiliares de pesquisa: 

Pedro Martinez (bolsista), Yasmin Carpenter e Vitor Knaak