Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ)


Chamada de artigos para o Boletim de Conjuntura LEHC 2019.2: A Longa duração da Revolução Chinesa

Compreender a China é uma das tarefas mais complexas no estudo das relações internacionais. Sua civilização milenar – com uma ligação íntima com o passado e os princípios clássicos de estratégia e arte de governar, com um sistema de representação harmônica que permite a garantia da ordem universal como objetivo máximo da política, com tradições ancestrais visualizadas no cotidiano contemporâneo – possibilita novas interpretações de mundo num contexto de longa duração.

A China vem passando por constantes mutações estruturais, principalmente após a Revolução Socialista de 1949, o que permite inúmeras terminologias que visam descrevê-la: reforma com “características chinesas”; projeto nacional de desenvolvimento baseado no “interesse nacional” chinês; “socialismo de mercado” ou “capitalismo de Estado”; política externa convergente com as etapas de desenvolvimento da política interna; “aberturas econômicas graduais e controladas”; antítese dos preceitos do Consenso de Washington; “economia de mercado não capitalista”; “capitalismo confucionista”; “capitalismo do Rio Amarelo”; “ascensão pacífica”; “desenvolvimento pacífico”; “mundo harmonioso”; “ascensão na cooperação”; “ordem paralela”; “network power”; “Consenso de Pequim”; “Consenso Asiático”, dentre outros.

Desta forma, este número do Boletim LEHC será dedicado a debater as particularidades contra hegemônicas do modelo político-econômico chinês na longa duração, tendo como ponto de referência a comemoração dos 70 anos da Revolução Socialista em 2019. Também será realizada uma chamada para resenhas de livros publicados nos últimos cinco anos referentes ao tema ou clássicos do pensamento contra-hegemônico.

Os coordenadores desta edição são Bernardo Salgado Rodrigues – Doutor em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – e Carlos Eduardo da Rosa Martins – coordenador do Laboratório de Estudos de Hegemonia e Contra-hegemonia (LEHC/UFRJ).

A data final para submissão de artigos é 31 de agosto de 2020. Para mais informações, clique aqui.


Chamada de artigos para o Boletim de Conjuntura LEHC 2020.1: A pandemia e as múltiplas faces da crise capitalista

A Pandemia da COVID-19 vem escancarando faces críticas da longa duração da acumulação capitalista. Ao mesmo tempo, torna-se parte mesma do processo. A crise pandêmica, neste sentido, tem o potencial de representar um ponto “bifurcador” histórico. Até sua eclosão, as conjunturas econômica, social, política e ideológica do capitalismo globalizado já apresentavam graves indícios de que estava por se aproximar algum evento que seria o estopim para um ponto bifurcador.

As taxas de crescimento econômico mundiais, apesar de um breve período de curto fôlego entre 2015-2018, apresentaram média de 2,73% entre 2009-2018, patamar histórico muito inferior a outros períodos. Depois da crise financeira, a “financeirização” aliou-se, enquanto lógica de acumulação, às políticas de Estado norte-americana e europeia aproveitando-se da gigantesca injeção de liquidez e provocando um distanciamento cada vez maior entre o valor dos ativos financeiros e a economia real das empresas e Estados. Do ponto de vista social a conjuntura pré-pandêmica esteve marcada pelo aumento da frequência e intensidade de protestos sociais como a primavera árabe e os levantes populares na América Latina. Esteve marcada também pela crise migratória e de refugiados que tomou proporções globais. Do ponto de vista político, a nível internacional, a ascensão dos BRICS, incluindo aí também outros processos correlatos de articulação institucional, representa um novo contrapeso de articulação geoeconômica e geopolítica. Do ponto de vista ideológico, a ascensão do neofascismo, a polarização dos resultados eleitorais no mundo e a cada vez mais central necessidade de decolonialidade em níveis multifacetados da sociedade e do indivíduo, como gênero, raça, sexualidade e periferização, confrontam-se neste amplo quadro conjuntural de longa duração da crise capitalista.

Neste sentido, como pensar a crise pandêmica? É realmente um ponto bifurcador? Como pensar a realidade destas diversas faces da crise capitalista tendo em vista sua sobreposição à crise pandêmica? Quais cenários são possíveis, quais estratégias, quais desafios? Enfim, como abocanhar o todo e qual seu significado de longa duração? Assim, convidamos à contribuição análises que possam mergulhar dentro destas diversas faces da crise pandêmica-capitalista. Serão também analisadas resenhas de livros escritos há no máximo cinco anos e que contribuam para o entendimento da crise capitalista e/ou dos impactos de pandemias na história das sociedades.

A coordenadora desta edição é Ísis Campos Camarinha – Doutora em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A data final para submissão de artigos é 15 de setembro de 2020. Para mais informações, clique aqui.

 


Boletim de Conjuntura LEHC

ISSN 2595-3095

Link para download (em pdf): Boletim de conjuntura v.4, n°6

Em 2019 se completam 60 anos da Revolução Cubana, movimento que derrubou antigas oligarquias em Cuba, ousou desafiar a imposição externa na ilha, e provocou severas alterações de ordem política na América Latina e no mundo. O Boletim de Conjuntura do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC-UFRJ) aproveita a ocasião para analisar em seu dossiê a trajetória do movimento nos últimos 60 anos, além dos desafios para a construção do socialismo no século XXI. Para isso, a publicação se divide em duas partes.

Na primeira, conjuntural, o objetivo é indicar acontecimentos centrais e recentes no mundo. Iniciamos com Carlos Eduardo Martins analisando o governo Bolsonaro no Brasil e suas bases pouco nacionalistas, para além do “Brasil acima de todos” de sua campanha; Pedro Martinez e as perspectivas chinesas em meio a guerra comercial com os Estados Unidos; Amanda Simioni destrincha a crise na Venezuela em mais um ano de dificuldades políticas e econômicas no país; e Joana das Flores Duarte relembra os 43 jovens estudantes mortos no Massacre de Iguala e as raízes políticas do acontecimento, cinco anos após o massacre. É importante destacar que esses textos foram enviados há alguns meses, com alguns fatores presentes na publicação já superados. Por isso, os textos mais informativos — como o informe de conjuntura sobre a China e sobre a Venezuela — ganham notas de rodapé indicando o momento em que tiveram seus conteúdos atualizados pela última vez.

Na segunda parte iniciamos o debate sobre o tema central do boletim: a Revolução Cubana. Camila do Valle inicia o dossiê com um artigo histórico das trajetórias da revolução, dos primeiros dias à consolidação política no movimento no governo cubano, aos dias atuais. Mariana Pimenta Bueno segue com uma análise de textos de Che Guevara sobre a construção de um partido revolucionário e do homem cubano após a ascensão ao poder. Em seguida, Eduardo de Mattos relembra o encontro entre Fidel Castro e Malcom X, um dos líderes do movimento negro nos Estados Unidos, em um debate de classe e raça na América. Para finalizar, Vanessa Silva fala da influência do líder da independência de Cuba, José Martí, da revolução aos dias atuais.

Boa leitura!

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Quem Somos

LEHC é o Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sediado no Instituto de Relações Internacionais e Defesa (IRID/UFRJ) e associado ao Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional (PEPI/UFRJ). Fundado em 2010, dedica-se à pesquisa e promoção do conhecimento sobre: o Brasil e a América Latina na economia política da globalização; o pensamento social contra-hegemônico e/ou latino-americano; Estado, modelos políticos e padrões de desenvolvimento; e civilização capitalista, contra-hegemonia e civilização planetária. Articula-se com importantes redes nacionais e internacionais entre elas o CLACSO, em particular, com os grupos de trabalho Integración regional e unidad latinoamericana e caribenhaEstudios sobre Estados Unidos e Crisis de la economía mundial capitalista.


Notícias

 

Nota do LEHC/UFRJ sobre o segundo turno das eleições de 2018 no Brasil: Derrotar Bolsonaro é derrotar o neoliberalismo e o fascismo! Reconstruir a democracia brasileira é reforçar a organização popular e as forças progressistas

O Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LEHC/UFRJ) vem a público se manifestar em um momento crucial da vida Brasileira. Nesse segundo turno, estamos diante de dois projetos distintos de país e devemos deixar clara a nossa posição diante da ameaça que se apresenta.

Primeiramente manifestamos nosso repúdio total ao projeto fascista representado pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). Este vem demonstrando sistemático desprezo contra direitos conquistados da classe trabalhadora brasileira. Está aliado com os espúrios interesses da elite nacional dependente, que pretende entregar nossas riquezas e nossa dignidade às grandes corporações e estados centrais. Seu governo representa a radicalização do projeto neoliberal que já nos aflige somado ao perigo conservador, intolerante e agressivo que já está mostrando do que é capaz, visto as notícias de crimes violentos de apoiadores de Bolsonaro contra pessoas que discordam do candidato.

O LEHC é um grupo com oito anos de trabalho e se orgulha de ter como valor a pluralidade de campos de estudo e de posições políticas dos seus membros. Nossos ideais são opostos ao do deputado e seu grupo. Por isso apoiamos Fernando Haddad (PT) nesse segundo turno. Estamos cientes de que a prática política implementada pelo Partido dos Trabalhadores nos treze anos em que esteve no governo está esgotada justamente pela fato da aliança ter sido feita com o grande capital em detrimento dos movimentos sociais. O golpe de 2016 mostrou que não é possível governar para o povo e ao mesmo tempo se curvar aos poderosos.

Dessa forma, independente de quem for o vencedor do pleito, consideramos essencial reconstruir a democracia nesse país. Um novo sistema que defenda a educação pública, universal e de qualidade em todos os níveis. Um sistema que combata a influência dos detentores do poder financeiro e político e que dê poder ao povo trabalhador. A eleição de Fernando Haddad representa a possibilidade dessa reconstrução em oposição a brutal regressão econômica e política que representa o outro candidato. Mesmo com todas as críticas feitas ao PT e ao seu governo, votar 13 no segundo turno é dizer não ao neoliberalismo, ao fascismo e à tortura. O LEHC estará sempre ao lado das lutas por uma sociedade mais justa e soberana.

Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2018.

 

Nota do LEHC a um mês da tragédia do Museu Nacional

 

O Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ) vem neste um mês da tragédia do incêndio do Museu Nacional expressar sua solidariedade com os trabalhadores – terceirizados, técnicos e professores –, com os estudantes e com sua direção. Também nos solidarizamos com o conjunto da comunidade universitária, da qual o Museu Nacional faz parte, que além de chorar suas perdas tem que suportar os ataques dos tubarões de ensino e neoliberais. Queremos nos solidarizar, por fim, com todo o povo do Rio de Janeiro, que perdeu aquele museu que era o verdadeiro museu da comunidade do grande Rio, principalmente dos mais pobres e dos subúrbios, que construíram em torno desses duzentos anos de história do museu as suas próprias histórias, em um palácio que um dia abrigou a família imperial, e que agora abrigava os afetos de tantas famílias do povo.
 
A destruição do Museu Nacional é uma tragédia para todo o povo brasileiro, mas também de toda a Humanidade. Perdeu-se grande parte do quinto maior e mais importante acervo do mundo. Calaram-se as vozes de povos que já não existem mais, perdeu-se o testemunho material deixado pelos trabalhadores de antigas civilizações.
 
Esta tragédia não era inevitável. É mais um dos resultados destrutivos da política neoliberal de sucessivos governos, em todas as esferas. A política de cortes no investimento das universidades públicas e na cultura é um dos seus elementos. Como também o é a transferência de recursos públicos para as universidades privadas e instituições de cultura privadas. Ergueu-se um Museu do Amanhã com verbas públicas para atender os interesses da Fundação Roberto Marinho, enquanto o Museu Nacional tentava sobreviver como podia.
 
O abandono do Museu Nacional espelha a repulsa que os neoliberais tem contra uma instituição que produzia ciência e cultura de forma gratuita e de qualidade, ao serviço do povo. O incêndio foi enxergado vergonhosamente pelo atual governo golpista como “uma janela de oportunidades” para destruir com toda a política nacional de museus e para transferir os museus ao setor privado para atender a fúria de lucros dos grandes empresários. Esperamos que a tragédia do Museu Nacional não seja rapidamente esquecida, em meio ao turbilhão de tragédias e retrocessos que ocorrem em nosso país. Por isso, o LEHC/UFRJ marca este um mês afirmando que o Museu Nacional vive e afirmando o seu compromisso com a luta em defesa da universidade pública e com a cultura, contra o neoliberalismo e as privatizações.
 
Rio de Janeiro, 2 de outubro de 2018.

Nota do LEHC/UFRJ a um ano do referendo independentista na Catalunha

O Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ) vem nesta data em que se completa um ano do referendo da Catalunha se solidarizar com esse povo em seu direito à autodeterminação nacional e expressar sua repulsa à política de repressão. Há um ano assistimos estupefatos a brutal repressão policial realizada pelo governo de Madrid contra um povo que queria, de forma pacífica e por meio de uma votação tranquila e organizada, decidir seus próprios destinos.

O LEHC/UFRJ acredita que o princípio da autodeterminação dos povos, que entra em cena de forma concreta pela primeira vez há pouco mais de cem anos com a Revolução Russa, é uma conquista do Direito Internacional e da Humanidade, um sinal de progresso civilizacional que deveria ser tido em conta por todos os Estados. Graças à esse princípio o Terceiro Mundo deu os seus primeiros passos de libertação, ainda que incompleta, faltando a libertação econômica.

O LEHC/UFRJ quer marcar com ênfase seu repúdio à forma antidemocrática que a Monarquia espanhola vem tratando a questão, mantendo depois de vários meses nove presos políticos e forçando outros políticos independentistas ao exílio, trazendo lembranças de um passado recente de trevas fascistas.

Rio de Janeiro, 1 de outubro de 2018

 


Linhas de Pesquisa

A economia política da globalização e a América Latina

Pensamento social contra-hegemônico e/ou latino-americano

 3 Estado, modelos políticos e padrões de desenvolvimento

Crise da civilização capitalista, contra-hegemonia e civilização planetária

 


 

Equipe de Pesquisa

Coordenador: Carlos Eduardo Martins (Lattes)

Vice-coordenador: Carlos Serrano Ferreira (Lattes)

Pesquisadores:

Wilson Vieira (Lattes)

Heitor Silva (Lattes)

Renata Bastos (Lattes)

Colaboradores:

Joana das Flores (Lattes)

Bernardo Salgado (Lattes)

Camila Oliveira do Valle (Lattes)

Isis Camarinha (Lattes)

Pedro Martinez (Lattes)

Auxiliares de pesquisa: 

Vitor Knaak